• Eber Urzeda Dos Santos

A Monstruosidade de Tucuruí

Atualizado: Set 1




Contos de Urzeda, por Eber Urzeda dos Santos



A Lenda do Lago da Usina

Sarah despertou-se ao lado do rio, seus ouvidos zuniam. Ela correu o que pôde, mas seus pés ensanguentados, suas pernas trêmulas e os seus pulmões obstruídos levaram-na ao chão e ao estado de choque. Apenas seus olhos moviam-se assustados à procura do seu predador. De repente, ela ouviu uma canção relaxante. Sentiu todo o peso do mundo em seus olhos, pestanejantes e calmos, como no espaço de tempo em que o espírito se desprende do corpo e vagueia pela confusão dos sonhos. Então, aos poucos, o seu ser esvaiu-se, tornando-se o nada.

***

Ao cair da tarde, a rua paralela ao Rio Tocantins, próximo ao cais da cidade de Tucuruí, no Pará, tornava-se vazia às pressas. Portas e janelas fechadas, trancadas e untadas com água benta. Homens, mulheres, idosos e crianças se ajoelhavam em círculo, tendo ao meio uma vela acesa e uma cabeça de peixe. Apenas um bêbado, triste a cambalear pela rua ribeirinha, acompanhou a cena. Encorajado pela cachaça barata e as moedas prometidas, narrou — de olhos fechados, para não se esquecer dos detalhes — o caso da menina do cais:

— Enquanto a sombra da noite envolvia a cidade, um vulto camuflado entre as brumas noturnas, de formas monstruosas e opacas, ajoelhou-se sobre o corpo da moça paralisada e… acreditem, pôs-se a murmurar uma canção de ninar. Dizia o ébrio contador de histórias, antes de abrir os olhos para reclamar as moedas.

Alguns moradores de Tucuruí insultavam o bêbado: “mentiroso descarado”. Riam suas gargalhadas debochadas e cuspiam, o nojo e o ódio, na velha colcha de retalhos do contador de histórias. O bêbado, indiferente aos julgamentos, sorria afável e repetia em silêncio: “A coragem é o somatório de dois covardes”. Porém os ribeirinhos da cidade não ousavam zombar do velho homem morador das calçadas.

Os olhares pelas frestas das janelas eram evitados a todo custo, bem como cânticos ou ruídos que pudessem vibrar as paredes de tábuas sempre depois do crepúsculo: mãos aos ouvidos, respiração lenta, olhos fechados e a esperança do dia seguinte, da manhã libertadora, quando os reflexos do sol nas águas no rio anunciariam o espetáculo da vida e, quem sabe, a sacies do pescador de almas.

Sarah era nova na cidade, mudou-se para Vila Permanente — uma vila projetada para os funcionários da hidrelétrica da cidade — e matriculou-se na Escola Rui Barbosa. A princípio, tímida, tardou em fazer amigos. Um dia, na saída da escola, viu um grupo de alunos reunido próximo ao portão. Ao passar por eles, notou que o tema era o mito do lago da usina. Ela diminuiu o passo e logo parou. Olhou para os garotos e as garotas e reparou o incômodo deles com o tema, tinham os semblantes carregados de medo e preocupação.

— O que é o mito do lago da usina? Perguntou Sarah, aproximando-se a passos amistosos.

— Não é um mito, é uma lenda! Disse Pedro, o professor de História, ao sair pelo portão da escola e agarrar a mão de sua filha, Lívia: uma das garotas do grupo. — Venha comigo, anda!

Os outros alunos baixaram as cabeças e se dispersaram sem se despedirem. Sarah, então, pegou no braço de um dos garotos. Este a olhou nos olhos e logo baixou a vista à mão de Sarah que o segurava firme. Ela não o soltou.

— Espere, por favor, preciso de ajuda. Seu nome é Lucas, não é?!

Diante do encanto de Sarah, Lucas relaxou-se aos poucos. Sentiu seus músculos leves e uma impressão repentina de não estar mais apavorado, senão sereno: graças à notava da classe e sua beleza misteriosa. Encantou-se pelo fato de Sarah levar poucos dias na escola e já saber seu nome.

— Sim , sou o Lucas, muito prazer!

Lucas estendeu-lhe a mão e beijou-lhe a face. O perfume de Sarah inundou-lhe a alma. A brisa vespertina vinda das comportas da usina, misturada aos aromas adocicados do rosto da menina, deixou em seus lábios um orvalho aromático, apaixonante.

— Você disse que precisa de ajuda? Em que posso ajudá-la?

— Sabe o que é? Não sei se você percebeu, mas me sento ao lado da Lívia. Durante estes três dias que fui sua colega de mesa, notei que ela nunca prestava atenção nas aulas. Além disso, ela tinha o costume de ficar rabiscando o caderno com os dizeres: “o mito do lago da usina”. Até aí, tudo bem! Mas hoje a vi com um estilete desenhando na mesa uma figura monstruosa. Então me aproximei e perguntei o que era. Levei um susto: ela tinha os olhos esbranquiçados, vazios. Pensei que ela estava brincando de virar os olhos. Mas vi que a coisa era mais séria quando ela olhou para mim e parecia não me enxergar, como se eu fosse transparente. Logo, ela balançou a cabeça e seus olhos voltaram ao normal. Porém ela parecia confusa como as pessoas recém saídas de um transe, sei lá. Fiquei com medo e afastei-me um pouco.

Sarah contava-lhe o ocorrido enquanto os dois caminhavam em direção ao centro comercial da vila. Lucas olhava para o chão, parecia evitar o olhar indagador de Sarah.

— Então, Lucas — continuou Sarah —, quando saí pelo portão, ouvi vocês mencionarem algo sobre o mito do lago. O que é o mito do lago da usina? Por favor, eu preciso saber. Confesso que estou com medo e penso até em contar aos meus pais para que eles venham à escola. Talvez eles consigam descobrir o que está acontecendo aqui.

— Não, não faça isso! Melhor que ninguém saiba de nada.

— Então me conte, eu tenho de saber!

— Tá bom, mas prometa que isso ficará entre a gente.

— Claro, pode confiar!

Eles já estavam próximo ao supermercado da vila, quando viram o professor Pedro deixá-lo com uma sacola na mão, sozinho. Os dois pararam entre duas árvores e avistaram o professor entrar em seu carro. Depois de dar marcha à ré, com a velocidade incomum para um estacionamento, ele saiu a cantar pneus e passou muito próximo aos pés de Sarah. Ela olhou para dentro do carro e viu a Lívia com a cabeça escorada na janela dianteira do passageiro, com as mãos nos ouvidos e os olhos fechados.

— Meu Deus! Temos de ajudá-la! Disse Sara e puxou Lucas pela mão. — Onde ela mora? Você tem de me dizer!

Lucas teve o mesmo sentimento de compaixão de Sarah, mas teve medo. Ela percebeu que ele tentaria dissuadi-la. Então ela o pressionou contra uma das árvores e, com o dedo indicador, tapou seus lábios, impedindo-o de falar.

— Você tem de me levar à casa da Lívia. Ela não está bem e você sabe disso. Disse Sarah, e levou as duas mãos ao rosto de Lucas e o beijou!

***

Os dois caminharam pela Rua Minas Gerais e logo chegaram à Rua Chile. Enquanto andavam, de mãos dadas, Lucas pensava no beijo e em uma futura repetição. E Sarah, no terror dos olhos brancos e assombrosos da sua colega de classe. Ela dava ritmo à caminhada. Lucas se sentia levado como num passo de valsa, cuja professora parecia ter plumas nos pés e um aperto de mão afável.

Ao chegarem à Rua Canadá, Lucas apertou a mão de Sarah e fez um movimento brusco. Os dois pararam. Ele olhou para a esquerda, logo para a direita. Não sabia ao certo qual direção seguir, pois só havia ido à casa da Lívia uma vez, ao acompanhá-la depois de uma festa no clube da vila. Depois de pensar um pouco, lembrou-se onde ela morava, ao avistar uma casa que lhe era familiar. Era a casa Hertes: antigo vizinho e ex-namorado da Lívia. Tanto ele como toda família haviam desaparecido da cidade sem deixar rastros, ninguém sabia informar nada a respeito da família Jung.

— É aquela casa ali! Disse Lucas com uma voz tênue e gestos imprecisos.

— Tudo bem, vamos até lá! Sarah o arrastou pelo braço, e os dois deram a volta para entrar pelos fundos do quintal.

Pularam a cerca feita de madeira pontiaguda e invadiram o terreno. Abaixados junto à parede, procuraram o quarto de Lívia. Eles avistaram a garagem. Não viram o carro do professor. A tensão pareceu diminuir um pouco, mas logo aumentou quando ouviram um choro pesaroso seguido de soluços. Sarah quis olhar pela janela, mas antes Lucas pôs a mão em seu ombro e disse baixinho:

— Tenha cuidado, Sarah, não sabemos o que ou quem está lá dentro.

Sarah arregalou os olhos:

— Como assim o quê? Esse choro só pode ser da Lívia. Não é o quê, senão quem: é uma pessoa, é a Lívia.

— Não é bem assim! Sabe o mito do lago da usina? Pois é, tem a ver com a Lívia e pai dela.

Sarah mordeu os lábios e olhou para baixo. Pegou Lucas pela camiseta e os dois correram e entraram debaixo de um velho escorregador no jardim:

— O que é o mito do lago? Vamos, conte-me tudo!

— Não é um mito. Segundo o professor, é uma lenda: uma narrativa transmitida oralmente pelas pessoas com o objetivo de explicar acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais e que mistura fatos reais a imaginários.

— Tudo bem, mas não precisa agora me explicar a etimologia da palavra. Quero saber sobre o que é a lenda do lago.

Lucas percebeu a impaciência de Sarah e continuou:

— Segundo a lenda, durante a formação do lago para construírem a usina, famílias inteiras de ribeirinhos e algumas tribos foram expulsas do local sem qualquer tipo de indenização ou projeto que lhes compensasse a brusca mudança de vida. Depois de alguns conflitos com a polícia, as famílias e tribos deixaram a região. Somente um velho pajé ficou no local para adverti-lhes da guardiã do Rio Tocantins: Maramou. Ela costumava afogar os homens que não respeitavam o rio ou mandava seu cão-das-águas para capturá-los e aprisioná-los o ser.

— Espera aí, aprisionar o ser, o que isso significa?

— Como disse o próprio professor Pedro, o cão-das-águas aprisiona a consciência do homem, deixando-o viver apenas com as pulsões do inconsciente. Isso significa que o homem atacado perde a razão, ou seja, ele perde as experiências que percebia por meio da razão, além das lembranças e das ações intencionais. Sua percepção de mundo então passa a depender das forças do inconsciente. Sendo assim, o novo homem passa a ser regido pelo instinto de vida, que se refere à autopreservação, e pelo instinto de morte, que é uma força destrutiva, e que pode ser dirigida para dentro.

Lucas notou que Sarah buscava entender, ela tinha o olhar distante e brincava com as tranças do seu cabelo, enrolando-as nos dedos e passando-as nos lábios.

— Eu não sou inteligente o bastante para assimilar tudo isso e logo explicá-lo. Isso se deve pelos encontros que tivemos para um trabalho em grupo depois da aula do professor Pedro sobre a lenda. Gravamos a aula em vídeo e a transcrevemos durante as reuniões. Logo li e reli trezentas mil vezes. Por isso tenho tudo decorado. Se você ainda não entendeu, tenho um exemplo que talvez facilite seu entendimento: sabe os loucos… ou os bêbados, que de tão bêbados parecem loucos? Pois é, não os entendemos porque eles são ou estão regidos pelo inconsciente: eles dizem coisas e agem de acordo com as pulsões do inconsciente, mas como interpretamos a partir de nosso consciente, tudo dito por eles não tem o menor sentido para nós, porque não estamos conectados no mesmo canal de comunicação.

— Tá bom, essa parte já peguei. Mas o que tem isso a ver com o mito, ou melhor, com a lenda do lago da usina?

— Já vou chegar lá. Continuou Lucas. — O pajé vivia em uma pequena ilha do rio. E resolveu esperar o homem branco ali, numa tentativa de salvar a pequena ilha onde estavam enterrados os restos mortais de várias gerações. Quando ele avistou os homens chegando num barco da polícia, sorriu e acenou. Ele tinha na mão um adorno, feito de ossos de animais e cascos de jabuti para presentear o homem branco. Ao verem o adorno, os policiais pensaram ser uma arma e alvejaram o velho índio. Ele caiu no lago e o barco aproximou-se de seu corpo a boiar na água serena. Logo cumprimentaram o atirador: “belo tiro, soldado”. Eles riram em jubilo e deram alguns tiros para o alto, comemorando o sucesso da expedição e da retirada de todos os que molestavam as intenções do Estado.

Sarah estava imóvel. Atenta às minuciosidades de cada palavra dita por Lucas. Apesar do calor, sua pele tornou-se áspera e o frio sentido a fez se aconchegar junto ao corpo de Lucas. Ele mal notou seu gesto. Tinha à mente apenas a lenda, e uma vontade imensa de desfazer-se dela.

— Durante a comemoração — Lucas fez uma breve pausa, mas continuou —, a tropa percebeu que o barco se movia de forma estranha. Ficaram em silêncio e observaram as mudanças no cenário: as águas, antes tranquilas, começaram a formar ondas cada vez maiores. Os policiais largaram suas armas e seguraram firme nas laterais do barco. De repente, da água surgiu uma criatura e saltou para dentro da embarcação. Todos os soldados ficaram imóveis como se tivessem sido hipnotizados, só conseguiam mexer os olhos ao acompanhar os movimentos lentos e controlados de Naláh, o cão-das-águas. Então, Naláh se posicionou ao centro e girou o corpo de forma lenta a encarar cada soldado e, veja você, começou a rosnar. Mas agora vem a parte intrigante da lenda: a melodia do seu rosnar era a mesma das canções de ninar.

— Que monstruosidade! Disse Sarah e pegou o braço de Lucas e o botou sobre seus ombros. — Mas o que isso tem a ver com Lívia.

— Já vou chegar lá! Ainda segundo a lenda, Maramou, a guardiã do rio, lançou uma maldição sobre a região do lago: todo ano mandaria Naláh para aprisionar o ser de dois moradores de Tucuruí, quando estes houvessem completado quinze anos. Pela simbologia das antigas tribos do rio, essa é a idade em que o homem deixa de ser filho da terra para tentar conquistá-la. E a Lívia — assim como você e eu — acabou de entrar nessa fase. Nosso grupo — o que fez o estudo da lenda — percebeu que a Lívia se comportava de maneira estranha desde o seu aniversário. Tentamos conversar com ela sobre isso, mas sempre vinha o professor Pedro e nos distanciava dela, como fez hoje. Acho que ele se arrependeu de ter dado aquela aula sobre mitos e lendas. A Lívia chegou um dia a dizer para esquecermos toda essa história maluca, pois ela estava com alguns problemas em casa e a lenda não a deixava se concentrar em nada. Achamos estranho, porque antes do aniversário, ela se comportava como qualquer garota da escola.

— Não creio nessa lenda boba! Disse Sarah e levantou-se depressa. — Vamos, temos que conversar com ela, saber porque ela anda tão estranha e se podemos ajudá-la em algo.

Os dois caminharam rumo à porta dos fundos. Sarah bateu à porta com cuidado para não chamar atenção e disse baixinho:

— Lívia, Lívia! Eu sei que você está aí. Preciso falar contigo!

Eles não ouviram resposta alguma. Sarah bateu com um pouco mais de força e a porta se abriu devagar, ouviu-se então apenas o ranger das presilhas enferrujadas. Ela pegou Lucas pela mão e entraram. Foram à procura do quarto de Lívia. Lucas reparava em cada detalhe da casa: as paredes estavam repletas de fotos do torneio de pescas de Tucuruí. Em todas elas, o professor Pedro estava de pé dentro de uma lancha pequena, tendo à mão enormes peixes.

Ao chegar ao quarto, Sarah bateu à porta só com as costas do dedo indicador. Aproximou o ouvido direito e ouviu Lívia cantando com ternura, era quase um murmúrio de lamentação. Ela abriu a porta devagar e chamou por Lívia com a voz serena para não a assustar. Porém, ao entrar, Sarah pôde ver que a melodia não saia da boca da Lívia, senão de um enorme monstro cujo o corpo lembrava o de um cão gigantesco, coberto com uma pelagem densa; e seu crânio, liso e dourado, tinha o mesmo formato da cabeça de um tucunaré – peixe típico da região, o mesmo das fotos do professor Pedro.

Lucas entrou em seguida e também se deparou com o monstro, ele tinha as duas patas dianteiras sobre a cama de Lívia. O monstro cessou o cantar e fez-se o silêncio. O único que se podia ouvir era a respiração de Naláh que, mesmo tento brânquias, e estas abertas e em movimento, respirava pelas narinas, exalando um ar esverdeado e nebuloso. O cão com cara de peixe olhou para os dois jovens estupefatos, desceu as patas dianteiras, endireitou o corpo e posicionou-se para o ataque. Neste instante, Sarah e Lucas perceberam a mudança de fisionomia na cara de peixe do monstro: de fúria para espanto. Então os dois sentiram um empurrão em suas costas e foram ao chão. O pai de Lívia invadira o quarto, empunhando uma escopeta. Em seguida, ouviram o estrondo de um tiro e viram uma luz que cegou a todos.

Quando Lucas recobrou consciência, não viu Lívia ou o professor Pedro. Ele estava em um quarto sem janelas, deitado no chão, ao lado de uma arma. Sobre a cama, uma moça de tranças, com um pijama de peixinhos dourados, e um cãozinho dormiam tranquilos junto a uma farda de soldado. Zonzo, voltou a desmaiar.

Raios de sol atravessando as folhas de uma árvore: foi a primeira coisa que percebeu ao despertar. Lucas esfregou os olhos e se viu deitado na calçada dum bar próximo à Feira Municipal de Tucuruí. O cheiro de peixe fresco, que vinha da feira, causou-lhe ânsias de vômito. Logo, o dono do bar veio ter com ele.

— Ei, rapaz! Acordou, né? Cuidado com o que esse bêbado diz. Ele não bate bem das bolas: olha só pra ele, usa farda e se diz ex-militar. Ele sempre conta a mesma história: de quando seus colegas soldados foram atacados e mortos por um cão com cara de peixe. Dá pra acreditar? Um louco perdido!

Lucas passou a mão pelos cabelos, sentiu uma forte dor de cabeça e seus ouvidos latejarem. Não sabia ao certo por quanto tempo adormecera. Tentou se levantar, mas caiu diante de uma poça de água entre a rua e o meio-fio. Viu o bêbado encará-lo de muito perto.

— Ei, você, quer ganhar uma dose de cachaça? Perguntou ao bêbado.

— Claro, doutor! Mas espera aí, o que é que eu tenho de fazer?

— Nada demais! Só me dizer seu nome!

— Cachaça barata! Pensou o bêbado, e vendo que o nariz de seu interlocutor quase tocava o seu, disse seguro de si. — Meu nome é Lucas!

Ele conseguiu, finalmente, pôr-se de pé. Escorou-se em uma árvore e olhou para as teias de aranha nas portas do antigo bar da Rua Getúlio Vargas. Reparou em sua volta: não havia ninguém, exceto as figuras do bêbado e do dono do bar, os dois a trajar suas vestes militares, aprisionados na água suja da poça. Lucas então sorriu aliviado. Aquele era apenas mais um domingo qualquer: ele estava sozinho e consciente. Porém desejou um gole de cachaça, de inconsciência, a fim de se livrar da monstruosidade do mundo perceptível.

Fim


Eber Urzeda dos Santos

23/07/2020


Se gostaram, por favor, compartilhem!!!

Adicione-me no Facebook: https://www.facebook.com/eber.urzeda.santos

Curta minha fanpage: https://www.facebook.com/eber.urzeda/

Siga-me no instagram: https://www.instagram.com/eberurzeda/

Siga-me no Twitter: https://twitter.com/EberEscritor


"Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência".


#Tucuruí #conto #literatura #ficção #terror





© 2020 por Eber Urzeda dos Santos

  • Facebook ícone social
  • Twitter
  • Instagram